A organização
O Livro I entregou os elementos; o Livro II vai reuni-los. A vida consiste na unidade: ser, diz Santo Agostinho, é ser um. A pergunta agora é dupla: em que consiste a unidade viva do meu ser, e como se produz a desordem que a desfaz.
Da análise à síntese
Conhecidos os elementos e os princípios primários da construção vital, é preciso traçar as linhas mestras da sua organização. E a vida só se organiza na unidade. Ser, diz Santo Agostinho, é ser um: só somos na medida em que atingimos a unidade. A vida compõe-se de múltiplos elementos, mas todos interligados e dirigidos para a atividade interna de um princípio uno de animação.
A minha vida afirma-se e progride por uma sucessão de atos e pela formação de hábitos os mais diversos. Caracterizar a natureza, o valor e o lugar de cada um desses materiais na economia do edifício vital é obra de suma importância; mas o objetivo fundamental desta busca não é deter-se na multiplicidade fragmentária, e sim estudar a unidade viva. Mais do que analisar as partes, contemplar a síntese em que essa totalidade se condensa: a resultante universal e a conclusão única das ações e disposições parciais. Procuro o segredo da unidade na vida, e da vida na unidade.
O percurso em cinco movimentos
O esquema do livro responde à dupla questão em cinco movimentos. Primeiro, a necessidade da organização: as minhas obrigações. Depois, o seu centro: a piedade, estudada na essência e como virtude. Em seguida, a sua finalidade, individual na glória divina e social no serviço. No quarto movimento, o inverso: a destruição da unidade, a desordem, na sua natureza (o apego às criaturas e o apego ao eu), nos seus efeitos e nos seus graus. Por fim, os inícios do reencontro: a fuga do pecado mortal, primeiro grau de piedade e porta da via purgativa.
Procuro o segredo da unidade na vida, e da vida na unidade.