A finalidade da criação
Deus criou todas as coisas para a Sua glória.
Deus criou todas as coisas
Tudo foi feito por Deus: sem Ele, nada se fez do que foi feito (João 1, 3). Ele falou, e as coisas foram feitas; Ele ordenou, e foram criadas. É Ele quem dá a todos a vida, o sopro e todas as coisas, pois nele vivemos, nos movemos e existimos (Atos 17, 25 e 28). É uma verdade que a razão me prova e que a fé me manda adorar.
Para Si mesmo
Deus, que é sabedoria infinita, dispôs tudo com medida, número e peso (Sabedoria 11, 21), e nada criou em vão. Se toda obra sábia tem um fim, também a criação tem o seu. E as criaturas existem para um fim: qual? Não pode ser outro senão o próprio Deus.
Porque, se Deus tivesse criado as coisas para um fim distinto de Si, teria subordinado a Sua ação a esse fim, e o fim estaria acima de Deus. Ora, a Sua ação é Ele mesmo. Logo, só pôde criar as coisas para Si; e as criaturas só existem para Ele e para a Sua glória.
Se o fim da criação estivesse acima de Deus, Deus não seria Deus.
Ele é o princípio e o fim
Eu sou o Senhor, este é o meu nome: não darei a outrem a minha glória; por Mim, por Mim mesmo o farei (Isaías 48, 11). Eu sou o primeiro e o último, o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim (Apocalipse 1, 8). Assim, é para Si mesmo que o Senhor fez todas as coisas: tudo vem d’Ele, tudo vai a Ele. O Seu poder é a única razão de ser das coisas enquanto princípio; a Sua glória, enquanto fim.
A glória de Deus, o bem essencial das criaturas
Se a glória de Deus é o único fim das coisas, é também o seu único bem, pois um ser não pode ter outro bem essencialbem essencialNo sentido filosófico absoluto: o que é da própria essência de uma coisa, sem o qual ela não existiria. senão o seu fim. O bem é o que toda criatura deseja e busca; e o que ela busca é o seu fim. Logo, o fim é, para cada criatura, o seu verdadeiro bem.
O bem soberano chama-se o fim, diz Santo Agostinho, porque por ele desejamos tudo o mais, e a ele o desejamos só por si mesmo. Os meios só são bons enquanto conduzem ao fim; fora disso, não há neles bem verdadeiro.
A manifestação e o reconhecimento da bondade e da perfeição de Deus: o fim único de tudo o que existe, e por isso o bem essencial de toda criatura.
Neste livro, a palavra essencial é sempre tomada no sentido filosófico mais absoluto: aquilo que é da própria essência das coisas, de tal necessidade que, sem ele, a coisa e as suas relações não existiriam.
Omnia propter semetipsum operatus est Dominus.
Tudo fez o Senhor para si mesmo.
Antes de perguntar o que fazer, saber para que tudo existe: para a glória de Deus.