Liderança e realização pessoal
Sabido o que são as virtudes e como se adquirem, resta perguntar o que elas fazem de quem as pratica. A resposta desloca o eixo do livro: o motivo de buscar a virtude não é tornar-se bom naquilo que se faz, e sim realizar-se plenamente como homem. A eficácia profissional não é o objetivo da melhora de si, é apenas um dos seus muitos resultados felizes. Posto isso, a parte fecha comparando duas éticas, e mostra por que uma ética reduzida a normas fica muito aquém da ética das virtudes.
O deslocamento que esta parte opera
Até aqui alguém poderia ler o livro como um manual de eficácia, e esta abertura corta essa leitura pela raiz. O motivo que move o líder a buscar a virtude não é simplesmente tornar-se bom naquilo que faz, e sim realizar-se por inteiro como ser humano.
A eficácia profissional não é o objetivo do aperfeiçoamento de si. É apenas um entre os muitos resultados felizes que dele decorrem. Quem inverte isso e busca a virtude pelo rendimento perdeu de vista o que a virtude é.
Disso decorre a ordem dos três capítulos: primeiro o retrato de quem amadureceu, depois o que a virtude dá e o que ela não pode dar, e por fim a crítica ao sistema moral que promete a mesma coisa por outro caminho, o das regras.
O plano da parte
Esta parte é o ponto em que o livro se afasta com mais clareza da literatura corrente de liderança. O que está em causa aqui não é desempenho, é antropologia: o que é um homem realizado, e por que a virtude é o nome disso.
Aqui se pergunta para que serve tudo o que veio antes, e a resposta recusa a leitura utilitária: busca-se a virtude para ser homem por inteiro, não para render mais. Render mais é consequência, e das felizes. Posto isso, ficam três passos: o retrato de quem amadureceu, o que a virtude dá e o que ela não promete, e por que viver de regras não substitui viver de virtudes.