Introdução ao Método Teológico
O curso percorre primeiro a história: como o pensamento cristão foi se constituindo em ciência, das primeiras heresias que forçaram a Igreja a pensar até a ruptura que separou fé e razão no limiar da modernidade.
Depois trata da coisa em si: o que é a teologia, como se articulam a escuta da fé e a inteligência da fé, quais são os lugares de onde o teólogo tira os seus argumentos, que relação ele tem com o Magistério e por que a ciência sagrada, quando é verdadeira, termina em oração.
Entra neste oratório como andaime de método. O que se estuda nas Leituras pede um modo de estudar, e é disso que este curso trata.
Curso sob direitos, de acesso por assinatura. As fichas abaixo são síntese própria; nenhum material do autor é reproduzido.
Curso em vídeo, padrepauloricardo.org
Los Angeles County Museum of Art · domínio público
A abertura
Os conceitos e as distinções elementares, e a disposição sem a qual não se estuda teologia.
A parte histórica
Como a fé se tornou ciência: as heresias que obrigaram a pensar, os dois grandes mestres, e a fratura que veio depois.
A parte sistemática
O que a teologia é, de onde tira os seus argumentos, que relação o teólogo tem com o Magistério e onde a ciência sagrada termina.
O método de estudo
A lição prática de Hugo de São Vítor sobre como se estuda.
As obras indicadas nas aulas, com o que se diz de cada uma, e as que sustentam a matéria sem serem recomendadas de viva voz. A lista cresce conforme o curso avança.
Recomendado para entender o que é a mudança de sujeito. As páginas 43 a 45 trazem o trecho lido em aula: a conversão como processo de morte e como processo sacramental, de Igreja. Volta na aula 7, pela página 20: excluir a ontologia paralisa a filosofia e retira o chão da teologia.
Indicado como leitura introdutória à necessidade de autoanálise em quem filosofa, o tema da periagogé platônica. Volta na aula 3, pela nota da página 33 sobre as escolas catedrais.
Sugerido a quem quiser ir além, pela exposição do mesmo ponto em Platão e Aristóteles. A recomendação vem depois da anterior, e não no lugar dela.
Base das distinções da aula: a natureza científica da teologia, a diferença entre teologia e fé, e as cinco disposições exigidas ao estudioso.
A questão de abertura da Suma, sobre a sacra doctrina e a sua condição de ciência.
Lido em aula no livro I, 10, 2: a Igreja espalhada pelo mundo guarda a fé como se morasse numa só casa, com uma só alma e um só coração. Irineu traz também a lista dos sucessores de Pedro, para mostrar a continuidade da mesma fé.
Recomendado para aprofundar pelos verbetes, começando por gnosticismo e arianismo, e seguindo depois por Irineu de Lião, Atanásio, Basílio Magno, Gregório de Nazianzo e Gregório de Nissa. A razão dada para preferir dicionários: o verbete entrega a essência, resumida por quem se dedicou ao assunto.
Apresentado como livro volumoso, mas importante para quem quer conhecer o pensamento de Agostinho. Em aula leem-se a página 450, sobre a adesão à ordem sobrenatural, e a página 433, sobre a experiência de Agostinho como descoberta da humildade.
A obra que abre com o mote de toda a vida do autor: fizeste-nos para Vós, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Vós.
Chega por uma nota de Olavo de Carvalho. Sustenta a tese da aula: nas escolas catedrais, vida e pensamento andavam em sintonia, e a universidade rompeu com isso.
O conselho é comprar a Suma e estudá-la. A introdução do primeiro volume é lida em aula: a página 34 trata da fé e da razão, isto é, da teologia como compreensão da fé, e a 35 traz a observação de que ninguém sentiu mais fortemente que Tomás o quanto de Deus só sabemos o que ele não é.
Indicado como a introdução mais acessível ao pensamento do Aquinate. O mérito assinalado é que um autor sem formação teológica de ofício colheu a essência de Tomás, e foi por isso elogiado por grandes tomistas. Há várias traduções em português.
A partir do número 43 trata da novidade perene do pensamento de Tomás e de como fé e razão nele se entrelaçam. O documento inteiro exprime a posição equilibrada da Igreja e liga a ruptura entre fé e razão a consequências de longo alcance.
Base das formulações sobre o vínculo de origem e dependência entre fé e teologia, e sobre a fé como suplemento que eleva a inteligência à altura do real divino.
Apresentado como volume de posse necessária a quem vai estudar teologia: reúne os documentos do Magistério. Dali vem a frase do IV Concílio de Latrão sobre a semelhança e a dessemelhança entre criador e criatura, número 432 nas edições antigas e 806 na numeração corrente.
Exposição serena do pensamento do Doutor Subtil: reconhece a sua santidade e a sua importância na defesa da Imaculada Conceição, e ao fim aponta o ponto delicado, o primado dado à vontade por zelo da transcendência divina.
Onde se lê a definição própria de conceito unívoco, com a ressalva do autor contra os mal-entendidos que o termo já consagrado poderia provocar.
Sustenta a leitura da aula sobre a refundação escotista da metafísica e o que dela decorre no nominalismo de Ockham.
A virada de método está aqui, e não nas noventa e cinco teses do ano anterior. A tese vigésima define o teólogo como aquele que compreende que as coisas visíveis e manifestas de Deus são vistas através do sofrimento e da cruz.
Fundamenta a tese de que a reforma luterana parte de uma inquietação religiosa pessoal, e não de uma investigação intelectual: a teologia de Lutero é a teorização da sua própria experiência.
Fonte dos dados de formação e de biografia usados na aula, e da leitura de que os princípios motores da revolução devem ser procurados na pessoa de Lutero, não na controvérsia das indulgências, que foi ocasião.
Indicado como o tratamento mais completo dos mesmos temas de Natureza e Missão da Teologia, para quem quiser aprofundar a defesa da síntese entre fé e razão.
Do prefácio à segunda edição vem a frase que fecha o círculo com Lutero: tive pois de suprimir o saber para encontrar lugar para a crença. Volta na aula 12, pela redução da razão ao comprovável e ao factível, que exila a fé no campo do irracional.
Indicado como leitura de acompanhamento da aula, pela análise dos passos internos do ato de fé, o papel do intelecto diante dos indícios de credibilidade e o da vontade que ordena crer. O autor, jesuíta brasileiro do início do século XX, é apresentado como grande apologeta e filósofo.
Recomendado com entusiasmo: na opinião do professor, talvez o maior teólogo que o Brasil já produziu, ainda citado no mundo inteiro. A introdução geral sobre fé e teologia, as primeiras cinquenta páginas, é o trecho apontado para leitura.
A fonte da noção de senso ilativo, o poder de julgar e inferir levado à perfeição. Advertência dada em aula: não é livro fácil, é leitura para gente grande.
Dela vem a definição de fé lida em aula: virtude sobrenatural pela qual, sob a inspiração e o auxílio da graça, cremos ser verdade o que Deus revela, não pela evidência intrínseca das coisas, mas pela autoridade do próprio Deus, que não pode enganar-se nem enganar.
O verbete Método, com os artigos de Guido Pozzo sobre o método da teologia sistemática e de Fisichella sobre o da fundamental. A bibliografia ao fim do verbete é apresentada como o caminho para os clássicos do tema, entre eles Kasper, Latourelle, Lonergan, Alszeghy e Flick, O’Collins e Ratzinger.
O parágrafo sobre a formação teológica dos seminaristas, lido em aula frase a frase: os temas bíblicos primeiro, depois os Padres do Oriente e do Ocidente, a história do dogma, a especulação tendo Tomás por guia, a liturgia e a atualização para os contemporâneos.
A resposta às propostas de trocar transubstanciação por transignificação e transfinalização: a linguagem pode mudar, desde que se conservem o mesmo sentido e o mesmo alcance.
O tratado que funda o tema. No livro primeiro, capítulo terceiro, estão os dez lugares, e no proêmio a razão de escrevê-lo: o teólogo precisa de lugares próprios, e não apenas da arte de argumentar que recebe dos dialéticos. Está disponível em latim na internet.
A origem do termo lugar como sede de argumentos, e o modelo declarado de Cano. Cícero e Quintiliano continuam a mesma linha, chamando os lugares de fontes e de moradas dos argumentos.
Indicado como aprofundamento da tese central da aula, a de que o método teológico depende da eclesiologia. Citado na edição italiana por ser mais acessível que o original alemão.
Escrito para os bispos alemães durante o Concílio Vaticano II, influenciou a redação da Dei Verbum. A parte de Ratzinger está digitalizada e disponível na internet, já fora do prelo.
Tratado volumoso, tratado com admiração pela honestidade do esforço: preservar o método teológico tradicional e ao mesmo tempo acolher o que a teologia latino-americana tem de próprio. Na página 122 está a crítica à epistemologia do amor de Sobrino, que a aula toma como sua.
Doze páginas em que se lê a crise da teologia da libertação depois da queda do Muro, e a previsão de que seria metamorfose e não morte: do rastro de destruição nasceria o relativismo, e dele a abolição prática da cristologia.
Os dois documentos guardam as distinções que a aula usa: há estruturas iníquas e é preciso mudá-las, mas elas são consequências antes de causas, e a raiz do mal está nas pessoas livres; e a libertação radical é a do pecado e da morte.
O documento que estrutura a aula. Dele vem a tese de que a cientificidade da teologia é proporcional à sua eclesialidade, e a descrição da vocação do teólogo como servidor da Palavra, cuja pesquisa só respira em liberdade dentro da fé da Igreja.