Cristo, cabeça do Corpo Místico, e Maria
Toda a santificação vem por Cristo, causa e cabeça do Corpo Místico; Maria coopera de modo subordinado, e a consagração ensinada por Montfort aparece nos três sistemáticos.
A vida da graça não chega à alma por um canal anônimo. Ela vem de Cristo: causa meritória, que satisfez por nós; causa exemplar, modelo perfeito e atrativo; causa vital, cabeça que influi vida nos membros do seu Corpo Místico. Configurar-se com Ele é a meta da vida cristã, e a fórmula da escola francesa, recebida de Olier e consagrada na doxologia da Missa, resume o modo: fazer tudo por Ele, com Ele e n'Ele.
Junto de Cristo, e subordinada a Ele, está Maria. Pela maternidade divina e pelo fiat, ela foi associada à Redenção e é mãe dos homens segundo o espírito; mereceu de congruo, sob Cristo, o que Ele mereceu de condigno. Os autores recomendam a verdadeira devoção ensinada por São Luís Maria Grignion de Montfort: a consagração como dom total de si a Jesus por Maria.
Como os autores o tratam
Cristo como causa meritória, exemplar e vital, com o Espírito Santo por alma do Corpo Místico. Maria: maternidade divina, mérito de congruo, exemplar de todas as virtudes e, segundo doutrina que ele apresenta como cada vez mais comum na sua época, medianeira universal subordinada. Expõe também a consagração de Montfort.
A humanidade do Salvador, unida à divindade, é o instrumento pelo qual toda graça nos é comunicada, dentro e fora dos sacramentos. Cristo é o único Mediador perfeito; Maria, por sua maternidade divina e plenitude de graça, é medianeira universal subordinada a Ele.
Cristo caminho, verdade, vida e cabeça: único caminho, que age por causalidade exemplar e como vida da alma. A vida cristã resume-se em fazer tudo por Cristo, com Cristo e em Cristo (pp. 209 a 211). Maria é caminho mais curto e seguro a Cristo, e a consagração de Montfort é a forma mais alta dessa devoção (pp. 211 a 214).
Fecha a obra em Jesus Cristo, fundamento da vida interior: glória divina, libertação humana e unidade do homem em Deus compõem no cristão o que estão em Cristo. De Maria destaca a humildade: receber tudo de Deus e a Ele referir tudo; por isso a que mais recebeu foi a mais humilde.
Tudo por Maria: nada garante a fecundidade do apostolado sem devoção especial a Nossa Senhora, Mãe que gera Cristo nas almas. Cita São Bernardo: tudo nos vem por Maria.
Convergências e divergências
A convergência é ampla: Cristo como única fonte da graça e a cooperação subordinada de Maria aparecem em todos, e a consagração montfortiana é recomendada pelos três sistemáticos. A divergência é apenas de grau, na extensão dada à mediação universal de Maria.
Nota do editor: a mediação universal de Maria é apresentada por Tanquerey (n. 5472 a 5651) como doutrina cada vez mais comum da sua época, apoiada em concessões litúrgicas de então. É posição teológica da época, não definição dogmática; convém datá-la ao ler os três autores.
Per ipsum, et cum ipso, et in ipso.
Por Ele, com Ele e n'Ele.
Configurar-se com Cristo é a meta; Maria, na doutrina destes autores, é o caminho mais curto e seguro para essa configuração.