Vida Interior.
Ducam eam in solitudinem, et loquar ad cor eius.
O Reino escondido no coração.
Vida Interior é um oratório de estudo da teologia ascética e místicateologia ascética e místicaA parte da teologia que trata do caminho da alma para a perfeição: a ascética, o esforço com a graça; a mística, a ação de Deus na alma.. Reúne, em ordem e com fidelidade às fontes, o que os mestres da tradição ensinam sobre a vida da alma com Deus: os conceitos por tema, um caderno de leitura para cada obra, um curso guiado e o mapa do percurso. É, antes de tudo, um lugar para estudar, reter e voltar.
E a vida interior é a própria vida da graça, recebida no Batismo e crescida na alma até a união com Deus. Antes de ser esforço ou método, é presença: as três Pessoas divinas habitam em quem as acolhe. Quem me ama guardará a minha palavra, diz o Senhor, e a ele viremos e nele faremos morada (João 14, 23). Tanquerey, cujo Compêndio serve de mapa a este oratório, chama-a a vida da alma com Deus, sustentada pela graça e desdobrada nas virtudes.
A medida da vida interior é uma só: fazer, em tudo, a vontade de Deus.
Toda ela cabe, segundo Pollien, num só princípio, o cumprimento da vontade de Deus, de onde o resto se deduz. E pede por condição o recolhimentorecolhimentoO voltar-se para dentro, aquietando os sentidos, para atender a Deus presente na alma., o voltar-se para dentro, onde Deus aguarda. Santa Teresa chamou a alma de castelo interior, e ensinou que na morada mais funda mora o Rei; para chegar ali é preciso silêncio, vacate et videte, aquietai-vos e vede que eu sou Deus (Salmo 45, 11).
Regnum Dei intra vos est.
O Reino de Deus está dentro de vós.
Esta vida escondida não se fecha em si mesma. Dom Chautard mostrou que ela é a alma de todo apostolado, e que a ação exterior seca na raiz quando não brota dela. Garrigou-Lagrange recorda que esta é a via normal da santidade, prometida a todo batizado. É a esta vida que as páginas seguintes servem, reconduzindo sempre aos livros, à oração e, por eles, ao seu único fim, que é Deus.
Deus não como parte, mas como centro.

Deus, de quem tudo procede, é também o fim para o qual tudo deve ser ordenado. A sua glória é o fim essencial da criatura, e a felicidade humana, longe de competir com essa glória, realiza-se precisamente na união com ele. A vida interior começa quando essa verdade deixa de ser apenas uma ideia religiosa e se torna o princípio ordenador de toda a existência.
Quando Cristo ocupa o centro, a inteligência, os afetos, a família, o trabalho, as necessidades do corpo, a oração e a caridade conservam a sua realidade própria, mas convergem para um único fim. Deus não destrói a multiplicidade da vida: reúne-a, ordena-a e eleva-a. Dessa unidade nascem a simplicidade e a força.
Quando ele é reduzido a um compartimento religioso entre tantos outros, não está ausente, mas passa a ser apenas mais uma parte. O pensamento de Deus, o amor de Deus e a busca de Deus disputam então espaço com interesses, desejos e preocupações que seguem direções próprias. Sem um verdadeiro centro, a alma se divide, as forças se dispersam e os esforços perdem fecundidade.
A verdadeira piedade não consiste em acrescentar Deus à vida, mas em permitir que ele reúna a vida inteira em si.
Três passos para quem chega. Nada precisa ser lido em ordem, mas este é o caminho mais simples.
O mapa
Comece pelo mapa da obra em curso: o Fim, o Caminho e os Meios da vida interior. O terreno inteiro, antes de descer aos detalhes.
Leituras
Depois entre na obra em curso, o Pollien, e siga capítulo a capítulo, no seu caderno de estudo.
Conceitos
E volte à enciclopédia por tema sempre que precisar, cruzando o que os autores dizem sobre cada ponto.
O caderno de bordo deste oratório: o que está sendo lido e anotado, registrado a cada estudo. Acompanhe de perto, ao seu passo.
Sou médico, católico em caminho, e mantenho estes oratórios como estudo pessoal, partilhado com quem queira acompanhar.
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