Os sinais e a medida do progresso
Não podemos conhecer com exatidão o próprio avanço, e é bom que não possamos: a incerteza guarda a humildade. Há, porém, sinais prováveis.
Faber abre o Progresso na Vida Espiritual com uma tese que desarma o leitor moderno: não podemos ter conhecimento exato do nosso progresso, e é melhor assim, porque a incerteza guarda a humildade e a docilidade à graça. Quem quer medir o próprio avanço já começou a olhar para si em vez de olhar para Deus. O que a tradição oferece no lugar da medida são sinais: indícios prováveis, que alimentam a esperança sem alimentar a contabilidade.
Faber acrescenta que um só desses sinais já é bom, e os cinco juntos, gloriosos. Em outro plano, Garrigou transmite a gradação de São Tomás sobre os sinais do estado de graça: a consciência sem pecado mortal, a alegria de ouvir a palavra de Deus, o gosto da sabedoria divina, a inclinação a conversar com Deus, o alegrar-se n'Ele na adversidade, a liberdade dos filhos de Deus, o falar de Deus da abundância do coração.
Como os autores o tratam
É a fonte própria do verbete: a impossibilidade e a inconveniência de medir o próprio avanço, os cinco sinais prováveis, e no capítulo XXI os sete sinais de predestinação (imitação de Cristo, devoção a Nossa Senhora, obras de misericórdia, amor à oração, desconfiança de si, o dom da fé, as misericórdias passadas), nos quais conta o desejo sincero, não a posse plena.
Dá os sete sinais do estado de graça segundo São Tomás, em gradação que vai da consciência tranquila ao falar de Deus da abundância do coração. Sinais, também aqui, e não medidas: a certeza absoluta do próprio estado não é concedida ao viador.
Ecoa o mesmo cuidado pelo avesso: a consolação sensível pode vir da natureza, do demônio ou da graça, e a verdadeira devoção persiste sem doçura. Não se mede o avanço por sensações.
Convergências e divergências
A convergência é notável e sem divergência real: Faber pelo lado psicológico, Tomás e Garrigou pelo teológico, Scupoli pelo tático, todos ensinam que o progresso interior se manifesta por sinais e não se deixa medir de dentro. O desejo sincero conta mais que a posse verificada.
Nota do editor: este verbete funda uma decisão editorial deste oratório. Não há aqui pontos, sequências nem gráficos de progresso, porque a doutrina comum dos autores ensina que o avanço interior não se mede de dentro de si: a medida alimentaria a soberba espiritual que os sinais existem para evitar.
Sinais, não medidas: a incerteza sobre o próprio avanço é ela mesma uma graça, que guarda a humildade.