A perfeição no mundo, para o secular
Todos os batizados devem tender à perfeição, cada um segundo seu estado; e Faber defende, com dossiê de autoridades, que ela é possível sem sair do mundo.
A santidade não é privilégio do claustro. O dever de tender à perfeição alcança todos os batizados, porque o preceito do amor não tem limite e a caridade é mandada como fim a que se tende, não como meta já possuída. Na natureza decaída, aliás, não se conserva a graça por muito tempo sem progredir: quem não avança, retrocede.
Faber é o defensor pastoral desta tese. Escreve declaradamente para quem busca a perfeição vivendo no mundo, e sustenta a possibilidade com um dossiê de autoridades (Tronson, Álvarez de Paz, Da Ponte, São Tomás). A sua chave prática: a paciência faz para o secular o que a obediência faz para o religioso, porque santifica pelo que vem de fora e escapa ao próprio controle. Os manuais mantêm, ao mesmo tempo, a obrigação especial dos religiosos, cujo estado é de perfeição pelos três votos, e dos sacerdotes, obrigados a santidade interior ainda maior.
Como os autores o tratam
A longa defesa da perfeição possível no mundo, com a paciência como obediência do secular: paciência com os outros, consigo, com o diretor e com Deus. Acrescenta uma ressalva técnica: a diferença entre os estados é de espécie, não de grau, e o secular pode atingir grau mais alto de uma espécie inferior de perfeição do que certo religioso na sua.
O dever de tender à perfeição exposto por estados: leigos, religiosos, sacerdotes. Na natureza decaída não se conserva a graça por muito tempo sem progredir; o estado religioso é estado de perfeição pelos três votos, e o sacerdote é obrigado a santidade interior maior que a do simples religioso.
Todos os batizados devem aspirar à perfeição, com apoio em Mateus 5, 48; a caridade é mandada como fim a que se tende. Religiosos e sacerdotes têm obrigação especial; o leigo, a obrigação geral do primeiro mandamento.
Todos os fiéis, cada um segundo sua condição, devem tender à perfeição da caridade em virtude do preceito supremo do amor, que não tem limite. A obrigação é universal; muda a condição, não o preceito.
Convergências e divergências
Sobre o dever universal de tender à perfeição, os autores convergem por inteiro. O ponto discutido é a ressalva de Faber sobre a espécie de perfeição do secular, que mantém a superioridade objetiva do estado religioso enquanto abre ao leigo um caminho pleno dentro do seu.
Nota do editor: a tese de Faber de que a perfeição do secular é de espécie inferior à do religioso apoia-se em São Tomás, mas é discutida; deve ser lida como posição de escola, não como doutrina comum. O que é firme é o dever universal de tender à perfeição, que Tanquerey e Royo Marín expõem por estados de vida.
Estote ergo vos perfecti, sicut et Pater vester caelestis perfectus est.
Sede, pois, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celeste.
O chamado à perfeição vale para todos os estados de vida; o que varia é o caminho de cada um e a obrigação que o acompanha.