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ConceitosFundamentosInabitação da Trindade
Conceitos · Fundamentos · Verbete IV

A inabitação da Trindade

Essência

As três Pessoas divinas habitam a alma em graça como num templo: presença de amizade, mais íntima que a presença do Criador nas coisas.

Deus está presente em toda criatura pela imensidade, sustentando-a no ser. Na alma em graça há mais: as três Pessoas divinas vêm habitar nela como num templo, presença de amizade e de comunicação, mais íntima que a do Criador nas coisas que apenas conserva. A alma justa torna-se templo vivo da Trindade.

Essa presença não é dado inerte da teologia. Ela pede uma resposta, que Tanquerey resume em três deveres: adorar o hóspede divino, amá-lo com confiança, imitá-lo. E ela pode ser conhecida: fundado na caridade, cresce com ela um conhecimento que a escola chama quase-experimental, pelo qual a alma percebe, de dentro, a presença que a fé afirma.

Como os autores o tratam

As Três Pessoas vêm habitar a alma em graça como pai, amigo, auxílio e santificador, presença mais íntima que a do Criador. A posse do hóspede divino pede adoração, amor confiante e imitação. O tratamento é doutrinal e devocional, sem apoiar-se na experiência mística.

Garrigou-LagrangeAs Três Idades da Vida InteriorP1, c. 4 · P4, c. 40

Liga a inabitação ao conhecimento quase-experimental de Deus, fundado na caridade, que cresce com ela e que, longe de ser extraordinário, está na via normal da santidade. A inabitação é a fonte incriada de toda a vida interior.

Royo MarínTeologia da Perfeição Cristãcap. 3, pp. 45 a 53

Acentua a finalidade da inabitação: fazer a alma participar da vida divina e tornar Deus objeto de fruição, por uma experiência inefável atestada pelos místicos. A presença é apropriada ao Espírito Santo, mas é das três Pessoas.

Convergências e divergências

Sobre o fato da inabitação e os deveres que ela impõe, os três sistemáticos convergem por inteiro. A diferença está no peso dado à experiência: Garrigou e Royo Marín ligam a inabitação ao conhecimento experimental de Deus, que para eles é o próprio terreno da vida mística; Tanquerey ensina a mesma presença, mas trata essa ligação com mais reserva.

Nota bene

Nota do editor: a ponte entre a inabitação e o conhecimento experimental de Deus depende, em parte, da tese de escola sobre o chamado à contemplação infusa, sustentada por Garrigou-Lagrange e Royo Marín e tratada com reserva por Tanquerey. O fato da inabitação é doutrina firme; o alcance místico que dela se deduz é posição de escola (ver o verbete sobre a natureza da perfeição).

Para reter

A alma em graça é templo vivo da Trindade; a vida interior é aprender a viver com o Hóspede que já está dentro.

Fonte · Tanquerey n. 4221 a 4499 · Garrigou-Lagrange P1, c. 4 · Royo Marín cap. 3
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