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ConceitosFundamentosGraça e organismo sobrenatural
Conceitos · Fundamentos · Verbete III

A graça e o organismo sobrenatural

Essência

Da graça santificante, princípio vital da alma, brotam as virtudes infusas e os sete dons do Espírito Santo: um organismo completo, dado no batismo e destinado a crescer inteiro.

A vida sobrenatural não é um conjunto solto de auxílios; tem a estrutura de um organismo. Como no organismo natural há um princípio de vida, faculdades e operações, assim no sobrenatural: a alma é o sujeito, a graça santificante é o princípio formal, as virtudes infusas e os dons são as faculdades, e os seus atos são as operações. A graça não destrói a natureza; eleva-a.

A graça habitual é uma qualidade sobrenatural inerente à alma, princípio vital que deifica sem igualar a Deus. Dela brotam as virtudes infusas, teologais e morais, e os sete dons do Espírito Santo, que tornam a alma dócil à moção divina como as velas dispõem o navio ao vento. A graça atual, por fim, põe todo esse organismo em ato: sem a moção divina, nenhum ato salutar é possível.

O organismo sobrenatural
Graça santificanteprincípio vital, qualidade inerente à alma
Virtudes infusasfaculdades de agir sobrenaturalmente, em modo humano
Dons do Espírito Santodocilidade à moção divina, como velas ao vento
Graça atualmoção que põe hábitos e faculdades em ato

Como os autores o tratam

A graça habitual como princípio vital deificante, qualidade sobrenatural inerente à alma; dela brotam as virtudes infusas e os dons, e a graça atual põe tudo em ato, sem nos igualar a Deus.

Royo MarínTeologia da Perfeição Cristãcap. 2, pp. 29 a 44

Desenvolve o paralelo com o organismo natural e a imagem do ferro incandescente, que participa do fogo sem deixar de ser ferro. A graça faz filhos adotivos por adoção intrínseca, justos e templo vivo da Trindade.

Garrigou-LagrangeAs Três Idades da Vida InteriorP1, c. 3

Da graça, recebida na essência da alma, brotam virtudes e dons como funções subordinadas de um só organismo, que deve crescer até o céu. É dele a imagem dos dons como velas ao vento do Espírito.

Convergências e divergências

Verbete tipicamente tomista e quase unânime: os três sistemáticos ensinam a mesma doutrina, com as mesmas imagens e a mesma fonte na Suma. Pollien e Scupoli não o desenvolvem tecnicamente; pressupõem a doutrina e trabalham no plano prático. Faber toca o tema pelo avesso, na advertência contra a superstição sobre a graça (cap. II): imaginar que a graça age como um talismã, sem a cooperação da vontade resoluta, quando já temos mais graça do que aquela a que correspondemos.

A graça nada mais é que certa semelhança participada da natureza divina.

Santo Tomás de Aquino, citado por Royo Marín, p. 35
Para reter

Uma só vida desdobrada em faculdades: a graça é o princípio, as virtudes e os dons são os membros, e nada nesse organismo cresce separado.

Fonte · Tanquerey n. 4501 a 4590 · Royo Marín cap. 2 · Garrigou-Lagrange P1, c. 3
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